segunda-feira, novembro 27, 2006
posted by Mar da Lua at segunda-feira, novembro 27, 2006

Olhos.
É sempre assim que começa.
Olhos postos em mim como se profana fosse e se mais profana me quisesses tornar.
Aos olhos segue-se o beijo.
Molhado, despido de regras. Quente, despido de tudo.
Outro e mais outros, tantos que se fundem num só, num uno e interminável beijo, numa sede aditiva dos beijos teus que parecem poder prolongar-me o sopro de vida, como se através do ar que respiras e do calor do teu hálito, passa-se eu a respirar melhor.
Aos beijos seguem-se as mãos, num bailado sensual de toques espaçados, suaves que mal se sentem para se soltarem em loucura bruta e se cravarem com a fúria de quem se deseja na pele e voltarem a tocar suaves num afecto terno e numa meiguice melada.
Lingua, pele, dentes, dedos, mãos, olhos e beijos se confundem na luta dos nossos lençóis quando nos entregamos a esta conquista desvairada do tempo que é o corpo de cada uma, do templo que edificamos juntas.
Mordo-te, beijo-te, toco-te, encho-te, quero-te. Faço-te minha como se minhas sempre tu houveras sido. Sem Espaço para mais Tempo antes deste que Hoje fazemos, sem Tempo para mais Espaço depois deste que fazemos Nosso.
Faço-te Minha, sei-te Mulher nesta urgência cega do desejo que arde e que queima e que gela o sangue para o derreter num grito calado que seguras à porta da garganta quando te contorces na dança do Tempo que hoje fazemos e do Espaço que sabemos Nosso. O sangue corre apressado, o sentido fá-lo correr, o gosto trá-lo inquieto, as bocas mordem-no num gemido abafado. O prazer solta-te o beijo e mais outro e tantos quantos os teus lábios vermelhos puderem dar aos meus inchados do gosto de ti.
Cais por terra no meu peito nú, entregas-te uma e mais outra vez, fazes-me tua com a mesma pressa com que minha te fizeste , com a mesma garra, a mesma fúria, com o mesmo desejo e o mesmo prazer. Gritas ao anúncio do orgasmo que de mim arrancas, agarras-me com o mesmo fulgor com que me olhaste profana e esgotadas ali ficamos nuas, abraçadas no Tempo e no Espaço que são nossos, nos lençois que bordamos à pressa na entrega deste Amor que se quer eterno.
 
6 Comments:


At novembro 27, 2006, Blogger M5Sol

Fico sem palavras ao ler a descrição da concretização de tanto amor.
E aviso, VOU GRITAR, noutras paragens.
Já volto!

 

At novembro 27, 2006, Blogger Mar da Lua

m5sol: LOL...grita mulher, grita tu também!

 

At novembro 27, 2006, Blogger as velas ardem ate ao fim

Texto que faz apetecer soltar o que há dentro de nós...Gostei!

Bjinhos.

(Aparece spre que te apetecer és sempre bem vinda)

 

At novembro 27, 2006, Blogger Bandida

bem...o jantar era afrodisíaco...


:)))))





beijo grande!
___________________________

 

At novembro 28, 2006, Anonymous Anónimo

Só pode sair dos teus dedos algo assim...e sei que teus lábios com sabor a sal gema do mar...gritam de prazer num orgasmo anunciado com os olhos marejados na lua...
Beijo doce
P.S. Não te digo quem sou... Apenas que, estou atento à tua felicidade.

 

At novembro 28, 2006, Blogger AR

Sem palavras... Adorei!